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Estimulando a demanda por REDD

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Academic year: 2017

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Estimulando a demanda

por reduções de emissões

de REDD+ no Brasil:

A necessidade de uma

intervenção estratégica

pré 2020

(2)

1

Introdução

Sobre o projeto de Finanças Florestais Interina (IFF, sigla em inglês)

O projeto Finanças Florestais Interina (IFF) é uma iniciativa de colaboração entre o Global Canopy Programme, o Amazon Environmental Research Institute (IPAM), Fauna & Flora International (FFI), o UNEP Finance Initiative (UNEP FI), e o United Nations Ofice for REDD+ Coordination in Indonesia (UNORCID). O projeto IFF advoga uma estratégia de intervenção pelos países doadores e os governos dos países com lorestas tropicais, e instituições públicas inanceiras, para aumentar a demanda dos setores públicos e privados por reduções de emissões REDD+, no período interino entre 2015 e 2020.

Para entrar em contato com a equipe de gestão do IFF, por favor mande um e-mail para

[email protected] Citação

Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), 2014. Estimulando a demanda para reduções de emissões do REDD+ no Brasil. A necessidade de uma intervenção estratégica pré -2020: um estudo de caso para o projeto Finanças Florestais Interinas. Escrito pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (IPAM), Brasília, Brasil. Publicado pelo Global Canopy Program, Oxford, UK. © Global Canopy Programme 2014

Agradecimento

Os autores gostariam de agradecer os representantes do governo Brasileiro, o setor privado e outras partes interessadas, que dividiram seus pontos de vista ajudando a modelar as descobertas deste relatório.

O Projeto Finanças Florestais Interina (IFF) foi inanciado pela Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD, sigla em inglês). As opiniões e interpretações neste relatório são as dos autores e não representa necessariamente as opiniões e interpretações da NORAD.

O Global Canopy Programme (GCP)

O Global Canopy Programme (GCP) é um think thank

sobre lorestas tropicais que atua em defesa da proteção dos ecossistemas lorestais e da garantia da seguridade de

água, alimentos, energia e saúde a par tir de perspectivas

cientíicas, políticas e econômicas. GCP trabalha com sua rede internacional – de comunidades lorestais, especialistas cientíicos, políticos, e lideres corporativos e inanceiros –

com o objetivo de recolher evidencia, gerar entendimento

e catalisar ações para deter a perda lorestal e melhorar os meios de vida dos povos dependentes das lorestas.

www.globalcanopy.org

O projeto “Interim Forest Finance” (IFF) tem como objetivo

abordar a signiicativa falta de inanciamento e demanda

por reduções de emissões de REDD+1 no período que antecede 2020, quando se espera que um acordo global sobre mudanças climáticas se concretize. Esta falta de inanciamento para atividades de REDD+ e o espaço entre a oferta e a demanda por emissões evitadas de REDD+ pode abalar a coniança no REDD+ em um momento crítico. O projeto IFF visa facilitar o diálogo sobre estratégias para

aumentar o investimento em REDD+ no período até 2020,

trabalhando com governos e o setor privado para identiicar intervenções que podem ser rapidamente implantadas em jurisdições especíicas. Nossa abordagem é fundamentada no reconhecimento de que o inanciamento do setor público será insuiciente para cumprir as metas de redução de emissões e de desmatamento. Assim, defendemos a implementação de intervenções estratégicas e orientadas que possam alavancar

investimentos do setor privado e promover a colaboração

público-privada eicaz para o REDD+.

Para dar suporte a estes objetivos, estudos de caso detalhados têm sido desenvolvidos para a Indonésia e Brasil, com o objetivo

de compreender e descrever a necessidade de inanciamento Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia é uma organização cientíica, não governamental, sem ins lucrativos que trabalha com políticas públicas e fomento. Desde 1995 o IPAM trabalha por um modelo de desenvolvimento na Amazônia que seja pautado pelo crescimento econômico, pela justiça social e pela proteção da integridade funcional dos ecossistemas da região.

www.ipam.org.br

Fauna & Flora International (FFI)

Fauna & Flora International (FFI) é uma organização de

conservação da biodiversidade que atua em mais de 40

países ao redor do mundo, principalmente em países em

desenvolvimento. Nossa visão é de um futuro sustentável para o planeta, onde a biodiversidade é efetivamente conservada pelas pessoas que vivem mais próximo a ela, apoiadas pela comunidade global. Fundada em 1903, a FFI

é a mais antiga organização internacional de conservação

do mundo e também é uma instituição de caridade registrada.

www.fauna-lora.org

UNEP Finance Initiative (UNEP FI)

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e para as Instituições Financeiras (LATF – UNEP FI sigla em inglês) foi estabelecido em 1992 como uma parceria entre políticos e intermediários inanceiros. Com mais de 200 membros

representando bancos, seguradoras, e investidores do mundo

todo, UNEP FI contribui com as perspectivas de instituições inanceiras para as Nações Unidas e as atividades globais relacionadas a inanças sustentáveis. A missão do UNEP FI é gerar uma mudança sistêmica nas inanças para apoiar um mundo sustentável através da missão “Mudando as inanças, inanciando mudança”. www.unepi.org

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação do REDD+ na Indonésia (UNORCID)

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação do REDD+ na Indonésia (UNORCID sigla em inglês) é o ponto focal para o REDD+ na Indonésia, e serve como um organismo de coordenação e uma instituição de conhecimento. Com base

na vantagem competitiva e conhecimento especializado de oito

Agencias Parceiras das Nações Unidas (UNDP, UNOPS, ILO, FAO, UNEP, UNESCO, WFP e UNODC) e diversos parceiros da sociedade civil, UNORCID fornece aos políticos e partes interessadas a nível nacional através do nível local informações relevantes e ferramentas para apoiar uma implementação bem-sucedida do REDD+. UNORCID foi inaugurada no dia 17 de novembro de 2011 pelo Secretário Geral das Nações Unidas, seguindo da assinatura do Memorando de Entendimento (MOU, sigla em inglês) entre a República da Indonésia e o Sistema das Nações Unidas em setembro de 2011. www.unorcid.org

interino para REDD a partir da perspectiva de dois grandes

países com lorestas tropicais. No Brasil, este processo envolveu a busca de feedbacks sobre todos os elementos

da abordagem do projeto IFF, em par ticular do seu alinhamento com o panorama estratégico nacional e

da aplicabilidade para o Brasil dos instrumentos inanceiros identiicados no estudo de escopo IFF.

O resultado do trabalho no Brasil é uma proposta de implementação de um mecanismo previsto na Política

Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) chamado o Mercado Brasileiro de Carbono (MBRE), que é descrito neste relatório. O MBRE poderia promover o investimento

em atividades de REDD+ e ampliar a demanda por reduções

de emissões de REDD+, tanto antes de 2020 e muito além. Esta proposta é o resultado de um trabalho de pesquisa

e de engajamento com atores chave da sociedade civil,

governamentais e do setor privado, entre Julho de 2013 e Novembro de 2014. O estudo sobre a implementação do MBRE no contexto do IFF foi liderado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e contou com o apoio da BIOFILICA.

1Redução das Emissões do Desmatamento e Degradação lorestal e ao manejo sustentável das lorestas (REDD+)

Resumo

Informações preliminares do quinto relatório de avaliação (AR5; sigla em inglês) do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC; sigla em inglês) mostram que o tempo para limitar o aquecimento global a 2°C neste século está se esgotando. Ações globais de redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE) para que se atinja este objetivo se tornam ainda mais urgentes. Um novo ciclo de negociações

terá início na Convenção Climática da Organização das

Nações Unidas (UNFCCC; sigla em ingles), na conferência das partes (COP; sigla em inglês) 21 em Paris no inal de 2015.

Este novo ciclo de negociações se dará em um cenário

onde atores chave na negociação, como EUA e China, estão inseridos em um novo contexto político relativo à mudança climática. Neste novo contexto, existe uma possibilidade maior da constituição de regimes mandatórios de redução de emissões de GEE a partir de 2020. Tendo em vista este

cenário global, o Brasil enfrenta dois grandes desaios:

a manutenção dos decrescentes níveis de desmatamento

na Amazônia e no Cerrado; e o direcionamento de setores

estruturais da indústria nacional para uma economia de

baixas emissões de carbono. Em ambos os casos ações estratégicas são necessárias. Uma oportunidade que pode ajudar a vencer estes desaios é a implementação do MBRE – Mercado Brasileiro de Redução de Emissões, onde o inanciamento das ações para redução do desmatamento no país pode ser conectado às reduções de emissões em outros setores da economia. Dependendo da forma de

implementação deste mercado, ele pode gerar incentivos para colocar o Brasil em uma posição estratégica em um

(3)

2 3

Seção 1:

O contexto Internacional

De acordo com o relatório preliminar de avaliação do IPCC (AR 5)2, o tempo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) a um patamar que limite o aquecimento global a 2°C neste século está se esgotando. A medida que o tempo passa, os custos de mitigação e adaptação aumentam. Apesar dos esforços nacionais

e internacionais na mitigação da mudança climática, as emissões de GEE cresceram em média 2,2% por ano

entre 2000 a 2010.(Figura 1).

É necessário que todos os esforços sejam mobilizados para manter o aquecimento global médio abaixo de 2°C neste

século, evitando assim impactos maiores e imprevisíveis

à nossa sociedade. Para isso, os níveis globais de emissão não deveriam ultrapassar a marca de 44 GtCO2e anuais em 2020.

Porém, se os compromissos atuais assumidos por governos

de todo o mundo forem integralmente cumpridos até 2020, a emissão mundial anual será da ordem de 52 a 56GtCO2e,

ou seja acima da meta em 8 a 12 GtCO2e por ano4. Dado este contexto global, os governos estão inclinados

a avaliar a implementação de tratados climáticos com metas

mandatórias de redução de emissões de GEE. O ano de 2015 é um marco importante neste processo, pois, na conferência das partes 21 (COP 21) da convenção do clima da ONU (UNFCCC) em Paris, se consolida o processo de construção de um novo acordo climático global que entrará em vigor a partir de 2020. Compromissos novos ou mais estritos no período de 2015-2020 (o período interino) também serão cruciais.

Além das evidências cientíicas, o novo ciclo de negociações

climáticas se desenvolve em um novo cenário global onde

alguns atores chave, como EUA e China, estão revendo suas posições históricas relativas à agenda climática.

Os Estados Unidos, que juntamente com outras grandes

economias, tem sido historicamente um grande obstáculo na implementação de um acordo global para reduzir

emissões de GEE, parece estar mudando sua posição. O Ato de Segurança Climática da América (ACSA sigla em

inglês), também conhecido como projeto de lei

Lieberman-Warner de 2007, foi o primeiro passo no reposicionamento político do Congresso dos EUA acerca das mudanças climáticas, reconhecendo que o aquecimento global é inluenciado pelo homem.

Desde então, principalmente pela redução de emissões no

setor de energia decorrentes da expansão do uso do gás de xisto, as emissões de GEE americanas tem diminuído ano após ano. Durante o primeiro trimestre de 2012, as emissões de dióxido de carbono (CO2) dos EUA resultantes do uso de energia foram as mais baixas dos últimos 20 ano5. Além da expansão do uso do gás de xisto, o aumento no uso de fontes renováveis e da eiciência energética contribuem para este cenário. Em junho de 2014, a agência ambiental dos Estados Unidos, a Environmental Protection Agency, lançou um plano que contempla metas para reduzir signiicativamente emissões no

setor energético6. Estes são alguns dos sinais de o cenário nos

EUA está mudando, abrindo mais espaço para que o país assuma metas para redução de emissões de gases de efeito estufa.

Outro ator importante na agenda climática global, a China, também

está promovendo o uso de fontes de energia renovável, em especial a solar e a eólica, o que vai reduzir a participação do carvão mineral, hoje responsável por 65% da matriz energética no país. Em junho de 2014, a China lançou seu sétimo mercado

piloto de carbono e prevê a colocação de metas para redução

de emissões até 2015.

Finalmente, em novembro de 2014, os dois maiores emissores de gases que causam o efeito estufa no planeta, China e Estados Unidos, anunciaram um novo acordo. O presidente dos EUA Barack Obama e da China, Xi Jinping, em Pequim se

comprometeram a avançar nas negociações climáticas, um ano

antes da conferência do clima de Paris, a partir do qual se espera um acordo global. Os Estados Unidos se comprometeu a reduzir entre 26% e 28% das emissões até 2025 em relação aos níveis de 2005, enquanto a China estabeleceu uma meta para alcançar o teto de emissões até 2030.

Na Europa, a Alemanha, maior economia do bloco, também

está comprometida a reduzir sua dependência da energia nuclear

e dos combustíveis fósseis. O governo alemão estabeleceu uma

meta de tornar as energias renováveis7 35% da sua matriz energética até 2020 e 50% até 2030. Já a União Europeia assumiu uma meta de redução de 40% nas emissões de gases de efeito estufa até 2030, com metas adicionais em eiciência energética e utilização de fontes de energia renováveis.

Em relação às lorestas a agenda avançou signiicativamente na última conferência das partes. O acordo sobre REDD+ na COP 19 em Varsóvia (Acordo de Varsóvia ou“Warsaw Framework for REDD+” em inglês) de 2013 oicializou

o mecanismo de REDD+ como instrumento de mitigação

para as mudanças climáticas. No Acordo de Varsóvia foram deinidos os elementos relativos aos: vetores do desmatamento, níveis de referência, monitoramento, reporte, veriicação,inanciamento,ações de mitigação e arranjos institucionais e salvaguardas. Estes elementos criaram as condições institucionais para incluir os esforços de redução

de emissão por desmatamento no âmbito da Convenção do

Clima (UNFCCC). Assim, os países contam hoje com o aparato

institucional necessário para desenvolver suas estratégias de REDD+ internamente, acompanhados por uma entidade designada para averiguar resultados e, uma vez alcançando as metas de redução de desmatamento, poder receber

compensação/remuneração por isto.

2 Fonte: IPCC WGIII AR5 - Final Draft Summary for Policymakers - 12 de abril 2014

3 Fonte: IPCC WGIII AR5 - Final Draft Summary for Policymakers - 12 abril 2014 4 Fonte: The Emissions Gap Report 2013 - United Nations Environment Programme (UNEP), November 2013. 5 Fonte: U.S. Energy Information Administration – Agosto 2012 6 Fonte: United States Environmental Protection Agency – EPA - Carbon Pollution Emission Guidelines for Existing Stationary Sources: Electric Utility Generating Units - Proposed Rule by the Environmental Protection Agency on 06/18/2014. 7 Fonte: International Energy Agency - http://www.iea.org

Figura 1. Total de emissões antrópicas de GEE anuais (GtCO2eq ano) por grupos de gases entre 1970-20103

CO2 de uso da terra e lorestas

CO2 de combustíveis fósseis e processos industriais

Gases luorados

N20

CH4 50 40 30 20 10 0 19

70 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010

55% 65% 11% 16% 6.2% 2.0% 17% 19% 49 Gt +1.3%yr-1 1970 - 2000

+2.2%yr-1 2000 - 2010

(4)

5 4

Seção 2:

O Brasil no contexto internacional

8 Para China foi utilizada a variação de emissões de 5 anos contemplando o período de 2005 à 2010 Fonte: UNCCC - National Inventory Submissions 2014; Climate Analysis Indicators Tool 2014 - Washington, DC: World Resources Institute; SEEG - Sistema de Estimativas de Emissões de Gases do Efeito Estufa, Análise da Equipe

9 Source: SEEG - System for Estimating Greenhouse Gas Emissions, 2012. 10 SEEG - System for Estimating Greenhouse Gas Emissions, 2012. 11 The projected emissions for 2020 were authorized by Decree 7390/2010

No Brasil, importantes setores da economia (industrial, energia, resíduos e agricultura), aumentaram as emissões de carbono em 15% entre 1997 e 2012. No mesmo período, os EUA e a Europa diminuíram em 11% suas emissões, e a Alemanha, 24%. A (Figura 2) mostra duas tendências distintas, a redução de emissões de GEE pelos países desenvolvidos e o aumento pelos países em desenvolvimento.

1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012

3,000

2,500

2,000

1,500

1,000

500

0

Figura 2. Evolução da Variação de Emissão de GEE sem Mudança de Uso da Terra entre 1990 e 20128

Quando as emissões decorrentes das mudanças no uso do solo são incluídas nesta análise, o Brasil aumentou a emissão

anual bruta de GEE de 1,39 GtCO2e em 1990, para 1,48 GtCO2e em 2012, um aumento de 7%9 (Figura 3). Até o inal

da década passada,as mudanças no uso do solo eram a principal

1990 1992 1994 19

96 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012

280 310

250

220

190

160

130

100

70 -24%

-11% -11% +15%

+47%

Variação: 07-12 EU 28

Alemanha China

Brasil U.S.

Figura 3. Emissões brasileiras de GEE de 1990 a 2012 (milhões de tCO2e)10

Energia Agropecuária Mudança de Uso da Terra

Resíduos

Processos Industriais

Durante a COP15, em Copenhagen, o Brasil assumiu um

compromisso nacional voluntário de reduzir suas emissões de GEE até 202011 entre 36,1-38,9% em relação às emissões projetadas para 2020 (Figura 4), através da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). A mesma PNMC estabeleceu

planos setoriais, com metas de redução de emissão de GEE para os setores de energia, indústria, mineração, transporte,

siderurgia e agricultura. Além dos planos, já em andamento,

de controle ao desmatamento e queimadas na Amazônia e no Cerrado, o PPCDAm e PPCerrado, a PNMC prevê dois instrumentos principais para o fomento de ações de mitigação e adaptação: a) o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima; e b) o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), onde os títulos de redução de emissões certiicadas poderão ser negociados.

fonte de emissão de GEE no país chegando a ser responsáveis por quase 80% das emissões anuais brutas de GEE. No entanto,

a redução do desmatamento e mudanças na economia tem

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6 7

O compromisso voluntário brasileiro de redução de emissões

de gases de efeito estufa está descrito no decreto 7.390/2010, que regulamenta a PNMC. O compromisso nacional é baseado

na redução de emissões sobre uma projeção das emissões

do Brasil em 2020 em um cenário tendencial. Segundo as projeções sancionadas no Decreto 7.390/2010, as emissões totais do país passariam de 2,19 GtCO2e4 em 2005 para 3,24GtCO2e em 2020. Neste cenário, o Setor de Mudança do Uso da Terra e Florestas seria responsável por 1,4 GtCO2e, enquanto que o setor de energia seria responsável por 0,87

Figura 4. Compromisso Nacional Voluntário de Redução de Emissões (GtCO2e)

Figura 5. Meta de redução de 42% do desmatamento a cada 5 anos, totalizando uma redução de 80% até 2020 em relação a 2006, de acordo com as metas voluntárias assumidas pelo Brasil na COP-15 em Copenhagen14

Ao contrário do setor de Mudança de Uso de Solo e Florestas, os demais setores têm aumentado suas emissões desde 1990. Analisando as metas de reduções nos Planos Setoriais, muito

provavelmente o compromisso nacional voluntário para 2020

será alcançado,quase que exclusivamente através das reduções

provenientes de mudança de uso da terra, isto é, da redução

no desmatamento.

Um objetivo central da PNMC é reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% (Figura 5). A redução do desmatamento na Amazônia tem sido sucessiva de 2005 em diante, mas com

uma pressão internacional por aumento de produção de

commodities agrícolas, atrelada à expansão da infraestrutura (transporte) e de geração de energia, existe um risco real do aumento do desmatamento, como foi observado no aumento de 28% do desmatamento em 201313.

Esta redução pode ser, em parte, explicada por ações do Plano

de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento

na Amazônia Legal (PPCDAm), e dos Planos Estaduais de

Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCDs) presentes

em nove estados da Amazônia Legal, mas também é resultante de outras ações e iniciativas em curso na região. Em paralelo, o Brasil vem desenvolvendo sua Estratégia Nacional de REDD+ (ENREDD), que deve contribuir para a transformação das reduções de emissões em Mudança do Uso do Solo e Florestas

em um importante ativo para o cumprimento de compromissos

dentro do contexto criado pelo Acordo de Varsóvia. A ENREDD pode coordenar políticas públicas de mudança do clima e lorestas; mensurar, relatar e veriicar resultados para os biomas, cumprindo requisitos técnicos deinidos no Acordo de Varsóvia; e obter inanciamento (captação de recursos para pagamentos por resultados).

Em junho de 2014, cumprindo com as regras deinidas pelo Acordo de Varsóvia para o REDD+ na COP 19, o Brasil apresentou à UNFCCC o instrumento que será utilizado

para determinar as emissões evitadas pela redução do

desmatamento, o nível de referência de emissões para lorestas, FREL (Forest Reference Emission Level) na sigla em inglês. Embora o documento seja especiico para o período entre 2006 e 2010, é possível estimar o potencial de redução

de emissões por desmatamento evitado no período entre

2006 e 2020 utilizando as premissas apresentadas em diferentes cenários da evolução do desmatamento na Amazônia (Figura 6). Dentro deste contexto, o potencial estimado de emissões evitadas por REDD+ pelo Brasil no período varia entre 8,3 e 10,0GtCO2e. No entanto, menos de 3% dos resultados alcançados até agora no bioma Amazônico foram compensados. As reduções de emissões de GEE que já foram compensadas até o momento, foram pagas por doadores internacionais como a Noruega e a Alemanha.

GtCO2e, seguido do setor agropecuário com 0,73 GtCO2e e inalmente o Setor de Processos Industriais e de Tratamento de Resíduos com 0,23 GtCO2e. O governo federal assumiu

um compromisso voluntário12 de reduzir as emissões em 2020, entre 1,17 e 1,26 GtCO2e, assim, as emissões totais do país em 2020 devem icar entre 1,98 e 2,07 GtCO2e. Até agora, a maior parte das reduções alcançadas pelo país foram

decorrentes da redução do desmatamento, ou seja, o setor

de mudança de uso da terra e lorestas.

2,19

3,24 1,26

0,02 1,96 2,02 Max. 2,07

Min. 1,98

Emissões

2005

Projeções

2020

Estimativa

Emissões

2020

Compromisso Nacional

Reduções Pl.

Set. 2010 Reduções Pl. Set. 2012

Média Desmatamento (1996 - 2005) Meta de Redução

Desmatamento Efetivo Simulação de Desmatamento

5,000 10,000 15,000 20,000 25,000 30,000

1996199719981999200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020 0

42%

42%

42% 80%

Des

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ua

l (

km

2)

12 O Compromisso voluntário foi assumido no art. 12 da Lei12.187/2009 13 Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados divulgados em Setembro de 2014 apontam que foram desmatados 5.891 km² no

período de agosto de 2013 a julho de 2014 na Amazônia Legal, número 27,8% maior que no período anterior, quando foram registrados 4.571 km.

(6)

8

Figura 6. Redução de emissões por desmatamento evitado entre 2006 e 2020 considerando uma meta de desmatamento zero em 2020

As reduções de emissões de GEE com a queda do desmatamento na Amazônia entre 2006 e 201215 superam qualquer outro esforço nacional de redução de emissões de GEE no mundo. De acordo com a Figura 6, considerando o FREL, as emissões evitadas de 2006 a 2013 são da ordem de 4,8 GtCO2.

Estes esforços não foram adequadamente compensados e, para que o Brasil consiga cumprir suas metas de redução de emissões

sem reversão dos avanços na redução do desmatamento,

são necessários novos instrumentos de inanciamento para garantir a implementação do REDD+ na Amazônia.

200 400 600 800 1,000 1,200 1,400

1996199719981999200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020

0

M

ilhõ

es

tCO

2/km

2

Emissão Evitada (2006-2020)= 9,9 Gt CO2 Emissão tCO2

Emissão média (96-2005) FREL A (2006-2010)

Emissão média (96-2010) FREL B (2011-2015) Emissão média (1996-2015) FREL C (2016 -2020)

15 Fonte: Fundo Amazônia Am

az

o

n

©

N

e

il

P

al

m

e

(7)

10 11

Seção 3:

Conectando o cenário internacional

com o cenário nacional: Mecanismo Interino de

Financiamento para REDD+ a partir do Mercado

Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE)

Avaliando o contexto nacional pela ótica do cenário internacional, foram identiicados três grandes desaios

para o Brasil na agenda climática:

a implementação de tratados de redução de emissões de

GEE, pós 2020, onde o Brasil deverá ter metas mandatórias; a manutenção da redução do desmatamento da Amazônia,e; o direcionamento de setores estruturantes da economia

rumo a economia de baixo carbono.

O desaio que se apresenta ao país neste novo contexto

é manter a redução do desmatamento ao mesmo passo em

que se induzem setores estruturais da economia na direção do baixo carbono, aumentando sua competitividade internacional num mercado global gradualmente descarbonizado.

A combinação destes dois elementos pode constituir a base

para que o Brasil se posicione de maneira estratégica nas

negociações de um potencial acordo global de redução de

emissões de GEE.

Para promover a conexão entre a redução do desmatamento

e a “descarbonização” da economia nacional, um instrumento

previsto na Política Nacional de Mudanças Climáticas pode se tornar a peça chave, o MBRE.

Partindo deste contexto foi realizada uma pesquisa junto aos mais importantes setores relacionados à agenda climática brasileira, com o objetivo de validar premissas, identiicar

potenciais barreiras, bem como a pertinência da implementação

do MBRE como indutor de “descarbonização” da economia e de redução do desmatamento no Brasil.

Para esta pesquisa, foram realizadas19 entrevistas com representantes de instituições que serão impactadas direta ou indiretamente por potenciais metas mandatórias de redução de emissão de GEE e que estão relacionadas a uma possível

intervenção estratégica para estímulo da demanda por reduções

de emissões de REDD+. Inicialmente, as entrevistas tiveram como objetivo avaliar três premissas fundamentais:

se existirão acordos mandatórios em 2020 que estabelecerão metas de redução de emissão de GEE;

se o Brasil deve se posicionar estrategicamente, agindo antecipadamente na redução de emissões de GEE,

antes destes acordos acontecerem; e

se o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE) pode ser um mecanismo indutor de uma economia de baixo carbono posicionando o país de maneira estratégica frente a possibilidade de acordos mandatórios em 2020.

Foram realizadas entrevistas com representantes dos seguintes setores:

Setor Público: ministérios do governo federal. Setor Privado:Fundo Ambiental; Bancos privados e públicos, fundos de investimento; plataformas de negociação de ativos ambientais; especialista em mercado de capitais; empresas de vários setores;

Terceiro Setor; e, Academia.

O resultado da pesquisa revelou uma convergência positiva para a implementação do MBRE como um instrumento indutor da descarbonizacão da economia tendo o carbono lorestal

(REDD+) como um dos ativos negociáveis, aumentando assim

as possibilidades de luxo de recursos para inanciar ações voltadas para fomentar a redução do desmatamento por um lado e inovação e modernização na indústria por outro. De forma sintética, o posicionamento consolidado dos entrevistados em relação as premissas apresentadas foi:

A existência de acordos mandatórios em 2020 que estabelecerão metas de redução de emissão de GEE.

De maneira geral, todos entrevistados acreditam que existe uma elevada probabilidade de acordos mandatóriospara a redução de emissão de GEE serem implementados em 2020. Um dos principais motivadores para que isso aconteça é o fato de que

países chave na negociação climática estão se posicionando estrategicamente em relação a esta agenda,principalmente Estados

Unidos e China. A maioria dos entrevistados, no entanto, não acredita em um grande acordo global com metas mandatórias para todos países signatários da convenção do clima. Foram apresentados como fatores restritivos a um acordo único global mandatório a falta de força política da UNFCCC e o próprio

processo de negociação da convenção onde as decisões são

tomadas por unanimidade. As opiniões convergem para um

cenário dominado por acordos multi e bilaterais em oposição a

um mecanismo vinculante único com imposição de metas. A Organização Mundial de Comércio (OMC)surge também

como uma entidade onde acordos para redução de emissões

possam ser implementados.

A necessidade do Brasil se posicionar estrategicamente ante a este cenário.

De maneira geral os entrevistados entendem que o Brasil precisa se posicionar estrategicamente frente a possibilidade de implementação de acordos mandatórios para redução de emissões de GEE após 2020, principalmente para manter a competitividade dos seus produtos nos mercados internacionais. Foram identiicados, entre outros, os seguintes aspectos:

O desmatamento na Amazônia tende a diminuir e as reduções totais de GEE do país icarão concentradas nos

outros setores da economia onde o custo marginal de

abatimento é substancialmente maior. Existe, portanto

uma opor tunidade para usar as emissões evitadas por

desmatamento como um “colchão” que permita uma

transição mais suave dos outros setores da economia nacional

para um cenário de baixo carbono.

A política de clima do Brasil ainda está centrada na agenda do desmatamento concentrando o debate político nos estados

lorestais do Norte do país. Sem o envolvimento político dos estados industrializados do Sul, esta agenda pode não ganhar

o apoio político necessário para se consolidar dentro de uma

estratégia de desenvolvimento nacional.

Falta uma política de longo prazo para reduzir emissões nos setores estruturantes da economia garantindo competitividade em um mercado onde as emissões de

GEE podem se tornar um custo a mais para a produção. A exploração do petróleo no pré-sal pode se tornar uma nova fonte signiicativa de GEE aumentando as emissões totais do país.

As recentes secas no país reduziram a geração de

energia hidroelétrica o que demandou o aumento da

geração termoelétrica, encarecendo o custo da energia elétrica e aumentando as emissões de GEE, se este cenário se repetir as emissões do setor podem crescer

acima do esperado.

No entanto, o país apresenta trunfos para se posicionar estrategicamente frente a um acordo global mandatório

em 2020, entre eles:

Utilização do estoque de REDD+ como ativo inanceiro para inanciamento das atividades de manutenção do desmatamento evitado;

A posição diplomática favorável do Brasil nas negociações de um acordo global mandatório de redução de GEE pós 2020.

O Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE) pode ser um indutor para o Brasil se posicionar frente a esta possibilidade de acordos mandatórios em 2020.

O MBRE é visto como uma oportunidade de aumento da competitividade e geração de negócios no Brasil. Entretanto, uma parcela dos entrevistados no setor privado visualiza que o MBRE pode trazer um custo adicional para a produção dependendo da maneira como for implementado. As principais possibilidades que o comércio de emissões apresenta são:

Obter remuneração pela eiciência produtiva e pelas ações de “early action”;

Conseguir quantiicar o investimento ambiental (pegada ecológica), utilizando-o como diferencial competitivo,

disseminando as melhores práticas e tornando a

competição mais justa;

Ampliar a participação do mercado de capitais e atrair

(8)

12 13

Fortalecer a PNMC no Brasil, expandindo esta agenda dos estados amazônicos para os estados industrializados do Sul do país;

Reduzir o custo de mitigação setorial. No entanto, para que o MBRE cumpra seu papel, um conjunto de instrumentos e mecanismos devem ser implementados, deinindo modelos para transação, tributação, tipo de título, etc.

Está série de entrevistas mostrou que as premissas iniciais são pertinentes e que existe um papel importante para o MBRE

como um instrumento de modernização dos setores produtivos

e inanciamento de ativos ambientais. Através da implementação do MBRE, seria possível inanciar ações para redução do desmatamento na Amazônia, como o PPCDAm, que vem encontrando diiculdades de alavancar a quantidade de recursos necessários para perpetuar o desmatamento evitado.

Ao mesmo tempo, a discussão climática será incorporada na agenda dos setores estruturais da economia como indústria,

energia e transporte. Esta conexão pode ser feita através da

implementação voluntária dos planos setoriais já previstos na

PNMC dentro de uma estrutura piloto de mercado representada pelo MBRE.

Seção 4:

Explorando o conceito do MBRE

Neste contexto, no MBRE, os setores regulados pelos planos

setoriais voluntários representam a demanda por reduções

certiicadas de emissões lorestais (REC), sendo a oferta gerada pelas reduções certiicadas pela Agência Nacional de REDD+ (ANR), prevista na ENREDD,ou a entidade designada para este im pelo governo federal como previsto no Acordo de Varsóvia.

Assim, para cumprir com as metas setoriais, as empresas podem,

além de reduzir pelos seus próprios métodos suas emissões, acessar através de alocação por parte da ANR, uma cota de REC. Nesta alocação voluntária, as RECs continuam sendo da ANR, mas, podem ser transferidas para empresas através de leilões anuais. No entanto, existeum descasamento temporal entre a geração de oferta de reduções lorestais (até 2020) e a demanda do mercado neste período, uma vez que as metas são voluntárias, assim o governo federal pode viabilizar esta conexão temporal através de mecanismos de incentivo para fomentar a implementação do MBRE.

A Figura 8 ilustra o processo pelo qual uma determinada quantidade de RECs oriundas do REDD+ pode ser registrada junto a UNFCCC, em consonância com as normas estabelecidas

com base na metodologia do Forest Reducion Emission Level (FREL) apresentada pelo Brasil ao secretariado da convenção,

e em seguida transferidas para a Agência Nacional de REDD (ANR),podendo ser transacionadas dentro do Brasil.

Agência Nacional de REDD+ (ANR), que pode ser criada com a implementação da Estratégia Nacional de REDD no

Brasil, seria a autoridade nacional designada do Brasil para

gerenciar operações relacionadas ao REDD+. A ANR poderá operar da mesma forma que Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (CIMGC sigla em inglês)16, que opera a relação entre a UNFCCC e o governo brasileiro em questões relacionadas ao mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL). A ANR seria responsável por determinar o

volume de RECs gerado em um determinado ano, aplicando

a metodologia do FREL registrado junto a UNFCCC e usando dados sobre o desmatamento na Amazônia fornecidos pelo PRODES17. Uma vez que as RECs forem registradas pela UNFCCC elas são transferidas para a ANR.

Em seguida as RECs podem ser alocadas pela ANR para: a) o Fundo Clima, um fundo federal para inanciar o REDD; e b) diretamente para os estados da Amazônia. Para efeito de simpliicação, nesta proposta, a divisão entre o Fundo

e os estados seriam iguais, mas na realidade a divisão terá

de ser determinada em negociações entre partes interessadas. O Fundo Clima e os estados da Amazônia serão, então, capazes de vender ou alocar as RECs às entidades regulamentadas sob o MBRE para ajudar a cumprir as suas metas voluntárias no âmbito do limite de emissões estabelecido nos planos setoriais.

Este mecanismo pode gerar recursos para o Fundo ou para

os Estados que podem apoiar projetos ou políticas públicas voltadas para a redução do desmatamento. Neste cenário os estados da Amazônia têm a opção de transferir a titularidade das RECs para projetos especíicos, em reconhecimento das reduções de emissões alcançadas por um determinado projeto.

Do ponto de vista das iniciativas de projetos de REDD+, isso

signiica que elas terão de registrar suas ações juntoao Fundo do Clima ou aos governos estaduais, fornecendo uma indicação das reduções de emissões que elas esperam alcançar em um determinado ano. Uma vez que o Brasil registraum volume total de redução de emissões junto a UNFCCC e estabelece um volume total de RECs ao inal de cada ano, estas deverão ser alocadas pela ANR para os diferentes projetos e iniciativas

em linha com as suas contribuições relativas a redução

do desmatamento.Esta abordagem é diferente da que os desenvolvedores de projeto têm feito historicamente para gerar RECs, onde o volume de RECs é deinido pela metodologia elaborada por cada projeto individualmente. Como alternativa,

os desenvolvedores do projeto também serão capazes

de receber fundos dos governos do Fundo ou estado

(dependendo de onde eles registraram sua iniciativa) em

reconhecimento da contribuição que izeram para o volume total de RECs naquele período.

Para ilustrar como as transações podem ser feitas entre os vários atores, as setas laranja na igura representam alocações de RECs, setas azuis representam as operações em que as RECs são trocados por dinheiro.

Figura 7. Detalhamento da percepção dos atores segmentado por setores

üConcorda plenamente

!

Concorda com resalvas

Discorda

Partes interessadas

Existirá um acordo global mandatório em 2020?

O Brasil deve se posicionar

estrategicamente? O MBRE pode ser um agente?

Setor Público

!

Baixa probabilidade de acordo global mandatório na UNFCCC, mas é inev -itável que o carbono seja preciicado.

!

Deve se posicionar estrategicamente para consolidar a política nacional de clima , pois o Brasil ainda é um relexo da negociação internacional.

ü

MBRE pode mudar o regime político do possível mercado mandatório doméstico.

Setor Privado

ü

Existirá o acordo com diversas possibilidades de operacionalização: • Dentro da UNFCCC • Bilaterais

• Multilaterais

!

!

Terceiro Setor

ü

Alta probabilidade de ocorrer um acordo global mandatório em 2020.

ü

O Brasil tem a vantagem de poder utilizar o early action como um colchão para se

adaptar a nova realidade.

ü

Equiparando os custos de abatimento e tornando as metas acessíveis para os vários setores.

Academia

!

Alta probabilidade de ocorrer, porém com um número menor de

participantes.

!

O Brasil pode icar em situação delicada pois com o desmatamento zero na Amazônia, as reduções icam concentradas nos outros setores empresariais.

ü

Redução custo de mitigação setorial , fortalecimento da PNMC e assunto entra na pauta dos diversos setores da economia.

• Risco de tornar-se emissor de GEE, devido as présal • REDD poderá ser

considerado como activo

• Indústria deve investir em tecnologia de baixo carbono.

• Reduzir custo para se adequar as metas • Aumentar o custo produtivo • Fortalecer uma economia lorestal

16 CIMGC-http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/4016.html

(9)

14 15

Como o MBRE pode funcionar?

O MBRE é o mecanismo pelo qual as RECs podem ser trocados por dinheiro dentro do Brasil. Diferentes setores da economia

devem assumir metas voluntarias estabelecidas pelos planos

setoriais. A im de cumprir com as metas, esses setores terão de tomar medidas que podem incluir a utilização de RECs. Tanto os governos estaduais da Amazônia quanto o Fundo poderão

distribuir RECs no mercado, juntamente com outras instituições

que podem ter recebido alocações de RECs pelos resultados que alcançaram. Reconhecimento de iniciativas que assumiram. Setores que estão sujeitos a um limite de emissões podem transacionar RECs com estes agentes através do MBRE para cumprir suas metas.

Os instrumentos utilizados pelo governo para fomentar a implementação do MBRE poderão compreender, por exemplo, a isenção iscal e políticas tributárias diferenciadas. Neste caso, deduções ou isenções seriam concedidas a empresas que

cumprissem suas metas de redução utilizando uma parcela de

REC adquiridas em leilão. O recurso arrecadado com os leilões de RECs, poderiam ser utilizados pela ANR para inanciar a implementaçãodas ações relativas ao REDD+. A partir de 2020, com o possível aumento da demanda pelo mercado, a ANR poderá leiloar as RECs acumuladas no período entre 2006 e 2020, que não foram absorvidos pelo mercado anteriormente. As RECs adquiridas por empresas e investidores que não foram

aposentadas para cumprimento de metas de redução poderão ser

comercializadas, capitalizando industrias para promover reformas mais profundas de redução de emissões nas suas instalações.

Esta abordagem consiste em um investimento, a longo prazo,

em ativos lorestais para o governo brasileiro, e, para os futuros setores regulados representa custos baixos e subsidiados para a adaptação à inexorável economia de baixo carbono e manutenção da competitividade brasileira, enquanto garante um luxo de capitais para as lorestas perpetuando os esforços de redução do desmatamento atingidos.

Uma vez captados os recursos pela ANR, a repartição pode ser feita de diversas maneiras, como por exemplo utilizando o conceito de estoque e luxo para os Estados. A divisão para os Estados não signiica um “repasse” ou direito de uso para os governos estaduais. Dada a competência dos Estados em gerir as áreas lorestais, entende-se como premissa que cada Estado deverá estabelecer uma regulamentação especíica que determina

como se dará a gestão do REDD+ em nível estadual e como

serão repartidos seus potenciais benefícios entre todos os atores

relevantes, como populações tradicionais e indígenas, produtores

rurais, prefeituras,moradores de unidades de conservação, projetos privados, etc. Estados como o Acre, Mato Grosso

e Amazonas já possuem legislações sobre mudanças climáticas

que viabilizam este sistema. Outros, como o Amapá, estão desenvolvendo-a.

Esta divisão pode utilizar uma abordagem de 50% utilizando-se como critério o estoque lorestal do estado e 50% o luxo de desmatamento histórico, se mostrando equilibrada na alocação

dos incentivos para cada região, levando em consideração a área,

a cobertura lorestal e a taxa de desmatamento para o bioma Amazônia e identiicada pelo PRODES.

O conceito de estoque-luxo18 possibilita a alocação das reduções de emissões com base em dois parâmetros, o Fluxo e o Estoque.

Fluxo: Contribuição de cada estado na redução do

desmatamento (com base em sua taxa histórica de desmatamento) em relação à redução do desmatamento veriicado em todo o bioma Amazônia.

Estoque: Quantidade de carbono estocado na área lorestal

dos Estados em relação à área lorestal total do bioma Amazônia. A distribuição por estado e para o fundo Nacional do Clima está ilustrado na Figura 9, abaixo.

Figura 9. A distribuição de benefícios de acordo com conceito de estoque-luxo

18 IPAM. 2012. REDD no Brasil: um enfoque Amazônico. 3ª Ed.

PA

24%

AC

6% MT

20%

MA

3% AM

27%

TO

4% RO

9%

RR

4%

AP

3%

Agência Nacional de REDD+ (ANR)

Fundo Nacional

do Clima

4.93 GtCO

2

4.93 GtCO

2

Estados

(MT- Mato Grosso, AM- Amazonas state, RO- Rondônia, AC- Acre, MA- Maranhão, TO- Tocantins, RR- Roraima, AP- Amapá, PA- Pará) Figura 8. Representação esquemática da operação do MBRE

Legenda: as setas laranjas representam as alocações das reduções certiicadas de emissões lorestais enquanto que as setas azuis representam as transações inanceiras

UNFCCC

REC

REC

REC

REC

Cap Cap Cap

Setores

REC

REC

Projetos

Políticas PublicasProjetos &

Fundo

Clima Estados

$

$

$

$

$

100%

50% 50%

ANR

PRODES

Baseline

Compradores

Externos

MBRE

REC

$

(10)

16

Seção 5:

Mecanismos para catalizar

a implementaçã do MBRE.

Na seção abaixo apresentamos algumas possibilidades de mecanismos para catalisar a implementação do MBRE, os quais dependem de análise aprofundada quanto à operacionalização

e ao impacto e do debate para discussão da viabilidade técnica

e política destes mecanismos.

O estabelecimento do MBRE antes de 2020 tem como objetivos

principais a descarbonizarão da economia e a geração de demanda para RECs de REDD+, proporcionando assim o aumento do

luxo de capitais para ações de REDD+ (tanto jurisdicionais como projetos), ao mesmo tempo em que cria incentivos para diminuir a intensidade de carbono da economia brasileira. Neste contexto, exploramos abaixo três mecanismos que podem contribuir para acelerar este processo.

Esses mecanismos são apresentados com uma breve descrição

do mesmo, seguido de uma análise sucinta de prós e contras e de condições para sua implementação visando os objetivos listados acima.

PRÓS CONTRA

Estimular demanda para reduções de emissões diretamente.

O estoque teria que ser gerenciado cuidadosamente para evitar estoque extra no mercado em um período imediato – senão a quan -tidade de fundos levantados para apoiar REDD+ será bem menor do que o necessário.

Pilotar o MBRE como um mecanismo para a venda/troca.

Uma possível diiculdade se o governo estiver somente estimulando uma parte de um mercado maior (por exemplo, créditos de REDD+ em um mercado geral de emissões) – incluindo a resistência de empresas operando em outras partes do mercado.

Condições Propícias:

O nível de incentivos tem que ser adequadamente

avaliado para ter o impacto esperado na estimulação de inovações e na redução dos custos de mitigação

entre as empresas no mesmo setor.

Incentivos deveriam ser limitados aos compradores em

setores regulamentados após 2020, limitando o volume de reduções de emissões que podem ser compradas.

Leiloar uma quantia ixa de reduções de emissões cada ano anterior a 2020, menor que a quantia que se

espera ser necessária a partir do ano 2020 (para evitar

uma inundação do mercado e abaixar extremamente o preço do carbono em 2020).

Vender somente contratos futuros que se liquidam após 2020 (assegurar que as reduções de emissões possam

somente ser retiradas depois de 2020, reduzindo

oportunidades para especulação).

Aquelas empresas que ultrapassarem as metas para as reduções de emissões podem através de suas próprias ações receber o incentivo iscal.

R

io

B

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o,

A

cr

e,

B

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K

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ie

E

va

n

s

5.1. Incentivos iscais para a compra de reduções de emissões de REDD+ antes de 2020.

(11)

18 19

5.2. Preço mínimo para as reduções de emissões de REDD+ de 2020 até 2030 (ou datas alternativas).

Para as reduções de emissões de REDD+, um preço mínimo iria garantir um valor mínimo de 2020 em diante. Isto signiica que um aumento no valor das reduções de emissões de REDD+ após 2020 estará garantido através de uma política ao invés de coniar no aumento da demanda para elevar o preço.

PRÓS CONTRA

Poderia estimular a demanda para comprar reduções de emissões de REDD+ a baixo custo para estocar, porque os compradores sabem que o valor do estoque será maior no futuro.

O preço a curto prazo será menor que o preço no futuro, como os compradores precisam ter certeza de que obterão lucros no investimento – então os valores destinados às lorestas a curto prazo podem ser limitados.

Não é necessário nenhum investimento da parte do governo agora, e talvez não haverá nenhum custo público signiicativo se o preço depois de 2020 subir.

Se as reduções de emissões forem estocadas antes de 2020, o mercado poderá icar inundado, fazendo com que o preço abaixe, resultando no governo tendo que cumprir com as suas obrigações para cobrir o preço mínimo. Então é necessário que haja um controle e planejamento meticuloso no gerenciamento do risco para o Governo e os futuros custos das obrigações.

Oportunidade para pilotar o MBRE e estabelecer as reduções de emissões de REDD+ como um ativo negociável.

Pode ser mais interessante para negociantes – incluído aqueles envolvidos nos setores regulamentados – que queiram comprar ativos que se possa fazer dinheiro fácil através da garantia de que o preço aumentará.

Pode ter um impacto maior na estimulação de investimento das atividades de REDD+ do que na compra de créditos, já que é garantido o preço das reduções de emissões no futuro.

Pode ser redundante se uma larga escala de demanda a partir de 2020 (e consequentemente um aumento no preço depois desta data) é esperada.

Se o preço mínimo já estiver estabelecido de 2020 a 2030, isso pode ajudar a assegurar que as compensações permaneçam competitivas mas não excessivamente baratas durante este período – e que ações da indústria para reduzir as emissões através da eiciência/energia renovável também seja encorajada depois de 2020.

Condições Propicias:

O preço mínimo poderia ser determinado de acordo com uma análise do tamanho das reduções de

emissões necessárias após 2020 e o volume de reduções de emissões de REDD+ disponíveis.

Datas podem ser determinadas – poderia considerar-se a introdução do preço mínimo antes de 2020 para encorajar a compra a curto

prazo se necessário.

Claridade na regulação dos setores de valor-limite

tem que ser demonstrado para que se estimule ação imediata.

Enquanto estas sugestões foram levantadas pelos autores do estudo e durante as entrevistas, elas não são exaustivas, e outras opções podem e devem ser discutidas para dar força à proposta.

Seção 6:

Conclusão

É estrategicamente impor tante o desenvolvimento e

implementação de mecanismos interinos para o inanciamento das reduções de emissões por REDD+ até 2020. Grande

parte das reduções de emissão de GEE previstas na Política

Nacional de Mudança do Clima são decorrentes da redução

do desmatamento, principalmente na Amazônia. No período pós 2020, se o desmatamento na Amazônia parar, o potencial de REDD+ vai responder por aproximadamente metade

das emissões totais dos outros setores no mesmo período,

invertendo a tendência anterior aos anos 2000.

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026 2027 2028 2029 2030

1,4

1,2

1,0

0,8

0,6

0,4

0,2

0,0

Figura 10. Emissões de GEE e potencial de REDD+ entre 2010 e 2030

REDD tendencial REDD Desmat. Zero Emiss.sem LULUCF

G

tCO

(12)

20 21

Este momento pode coincidir com o estabelecimento

internacional de tratados mandatórios de redução de emissão de GEE, o que exigiria reduções diretamente

dos setores produtivos da economia do país aumentando

a perda da competitividade da indústria nacional.

Além disso, o futuro das baixas taxas de desmatamento estaria sob ameaça sem uma fonte sólida de inanciamento para ações de REDD+. Sem reciprocidade na geração de demanda por reduções de emissões lorestais, há excesso de oferta de curto prazo. Este desequilíbrio do mercado

pode deprimir os preços dos créditos de REDD+, cortando

o inanciamento para iniciativas que não só conseguiram

reduzir o desmatamento, mas também estão entregando

múltiplos benefícios sociais e ambientais. Este seria um sinal preocupante para todos os países que estão iniciando esforços para evitar o desmatamento.

Assim, a utilização de reduções de emissões lorestais brasileiras pelo futuro MBRE pode contribuir para:

Posicionamento estratégico frente a um tratado

global: manutenção do “colchão” de reduções

de emissões brasileiras;

Transição dos setores produtivos para uma economia

de baixo carbono mais paulatina e amena: preço médio

da redução de emissão reduzido e prazo alongado para

declínio das reduções de emissões próprias garantindo

a manutenção da competitividade da economia brasileira

em um contexto de mudanças dos critérios de comércio internacional;

Manutenção na redução das taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

Complementando a análise, as entrevistas com os atores

apontam incentivadores e desaios para a implantação do MBRE:

Incentivadores:

A questão climática tem ganhado cada vez mais espaço; Independentemente se ocorrer através de acordo multilateral, vinculante, não vinculante, bilateral ou regional, a regulação relacionada ao clima tem se

mostrado cada vez mais inevitável;

Preciicação do carbono se mostra altamente provável no médio/ longo prazo.

Desaios:

Deinição de quem detém o passivo: atribuição de custos aos setores regulados ou a toda a cadeia de valor;

Engajamento das diversas esferas entidades do governo;

Uso do REDD+ pode prolongar falta de investimento em inovação.

Para iniciar a construção do MBRE, entende-se que são necessárias ações de curto prazo que servirão de insumos tanto para a

estratégia brasileira nas negociações internacionais como para

a estruturação de metas mandatórias no nível nacional. São elas:

Determinar os custos setoriais de abatimento de emissões:

Os setores da economia apresentam custos de abatimento

de emissões bastante distintos. Para se deinir os investimentos necessários para uma transição para uma economia de baixo carbono é indispensável a realização de estudos que calculem com precisão estes custos. Esta análise está em curso no Brasil conduzida pelo MCTI Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação e deve ser concluída no primeiro semestre de 2015.

Propor estruturas institucionais para implementação do MBRE:

O MBRE, embora previsto na PNMC, ainda não foi regulamentado. Esta regulamentação é fundamental para que se possa estabelecer os mecanismos iscais, tributários e jurídicos que vão incidir sobre o sistema. Assim é preciso um estudo detalhado de diferentes formas de implementação do MBRE e as suas relações com o aparato institucional vigente no país. Esta análise está em curso no Brasil conduzida pelo Ministério da Fazenda e deve ser publicada ainda este ano.

Deinir linha de base e metas “justas”:

Para evitar grandes distorções de custos de mitigação entre os

setores da economia,que poderiam existir ao se aplicar metas de redução de emissão, é necessária a deinição clara das linhas

de base para cada setor e para cada tipo de empresa dentro

do setor. Sem este trabalho, as discrepâncias de meta / custo

podem retirar uma determinada empresa do mercado por

onerar excessivamente sua estrutura de custo.

Engajar setor privado:

O setor privado apresenta elevada heterogeneidade quanto ao status e consequências da mudança climática, e com isto as suas percepções de risco são bastante distintas. Desta forma, faz-se necessária uma capacitação deste público sobre as responsabilidades de cada um dentro desta questão, para aumentar a adesão a qualquer tipo de programa que venha a ser estabelecido no mercado brasileiro de reduções de emissão.

Regular o mercado:

Em todos os mercados, existe a necessidade de um órgão regulador para gerar coniabilidade no sistema e reduzir custo de transação e risco. O órgão regulador deverá

(13)

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